Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

riscos_e_rabiscos

.

.

Gajas Oferecidas

Chegamos a casa e elas estão sossegadas no seu canto a mirar-nos sub-repticiamente.

Nós temos consciência do seu apelo, de que estamos a ser observadas ao pormenor.

 

Passamos por elas mas ignoramos. O seu convite é escandalosamente explícito. Mas nós nem de soslaio permitimos uma troca de olhares.

 

Sentimos o seu calor e a sua voz a soprar-nos ao ouvido “come-me”. Paramos, pensamos duas vezes, sacudimos a cabeça e prosseguimos com a nossa vida.

 

A nossa memória relembra-nos o quanto elas são doces, meigas, deliciosas. Começa a passar-nos pela cabeça se devíamos aceitar o seu convite. Sentimo-nos entre a espada e a parede: manter-nos na nossa ou alinhar na delas?

 

Aquele cheiro peculiar que nos enlouquece, o seu toque suavemente doce que faz as nossas papilas gustativas vibrar. Começamos a ceder, a não conseguir resistir…

 

O apelo torna-se cada vez mais intenso. Já não nos sai da cabeça aquelas palavras “come-me”, lambe-me”, “quero sentir o toque da tua boca”.

 

E é então que perdemos completamente a cabeça e decidimos avançar. Vamos de cabeça!

Esquecemos tudo por uns momentos, metemo-las à boca e saboreamo-las com uma intensidade orgásmica.

Atacamos o pacote com toda a força e vontade e tentamos dizimá-las de uma só vez.

 

Malditas bolachas! Só gostava de saber quem é que inventou estas marias… ainda por cima minis! Nem é preciso trincar, é só enfiar na boca! Como se isto não bastasse, ainda colocaram chocolate no fundinho das bolachas. Isto faz-se?! E ainda por cima têm um pacotinho portátil. É muita maldade junta, oh se é!!!

 

Acho que vou processar os gajos cujos preços são mini e que vendem estas gajas!

 

                         

 

Egoismos e Ganâncias.

 

 

Há várias coisas que me fazem sair do sério. Principalmente, se disserem respeito a crianças e animais.

 

No meu dia de aniversário, havia também no colégio outra menina que fazia anos, como acho que já tinha contado.

É uma criança filha de pais portugueses mas que vivia num país anglo-saxónico só que agora veio para Portugal, ficando a viver com a tia.

Neste momento, encontra-se em processo de adaptação quer à escola, quer à língua materna.

 

Durante toda a semana a tia da menina andou a falar de um bolo de aniversário, querendo saber quantas pessoas estariam no colégio para poder fazer a encomenda do bolo.

Assim sendo, optei por não levar bolo de aniversário para a escola pois os miúdos não comeriam tanto bolo.

Decidi levar uma sobremesa e oferecer um saquinho com guloseimas a cada uma das crianças.

 

Chegado o dia do nosso aniversário, ao deixar a miúda do colégio, a tia entrou para me dar os parabéns. Reparei que vinha com as mãos vazias mas pensei que iria levar o bolo mais tarde.

É então que ela me diz que como os tios, os primos e mais um par de botas não podiam entrar nos colégio para cantar os parabéns à miúda, não iria trazer bolo de aniversário.

 

A minha cara caiu ao chão e só me lembrei na tristeza que a criança deveria sentir e da minha burrice por não ter levado um bolo. Fiquei com um nó n garganta e com uma revolta tal que só me apetecia engolir a tia. Não foi só a sobrinha que foi enganada mas também todas as outras crianças. A tia podia ter feito um bolo em casa ou comprado um qualquer no supermercado. Isso bastava.

 

É usual no colégio, sempre que uma criança faz anos, levar um bolo de aniversário para soprar as velas com os coleguinhas.

Se esta criança se encontra em processo de adaptação, não precisaria ainda mais de um bolo aniversário para soprar as velas na escola?

Não será o “bolo de aniversário” um símbolo de união, ligação e interacção entre as crianças?

Mas o dinheiro e o egoísmo dos adultos sobrepõem-se sempre aos interesse e bem-estar das crianças, infelizmente.

 

Como viram a decepção e a raiva estampada na minha cara, a C. e a P., secretamente, foram comprar um bolinho ao supermercado para nos fazer uma surpresa.

Os parabéns foram cantados a mim e à miúda que ficou radiante. A cara dela adquiriu um sorriso rasgado e os olhinhos dela brilharam.

Isto não vale mais do que o dinheiro de um bolo de aniversário?

 

Particularidades de um Mundo Aparte

                     

Que o meu colégio é composto por crianças de uma classe económica alta, já eu sei desde que lá dei a minha primeira passada portal adentro.
Que as crianças são filhos de pais novos ricos, em franca ascensão económica também é sobejamente conhecido. Mas mesmo assim ainda desconheço alguns factos acerca do meu local de trabalho. É sempre bom umas surpresas para fugirmos à rotina.
 
Passei o ano inteiro a ver as “empregadas” irem buscar as crianças. Havia aquelas que surgiam vestidas à paisana mas outras havia que surgiam vestidas a rigor. Uniforme imaculado e sem rugas, branco e azul, bandolete de rendinha na cabeça.
Julgava que já não existiam coisas destas. Que estas cenas pertencessem ao século passado, que fossem e há quatro ou cinco décadas atrás. Mas parece que há coisas do Antigo Regime que ainda subsistem, que perpassam os tempos.
 
Mas o que eu não sabia é que também tinha uma criança – não sei se há mais – oriunda do mundo VIP, do Jet Set. É uma estupidez e completamente normal, mas foi uma coisa inesperada.
Tempos houve em que o meu dia a dia era passado em contacto com actores e actrizes e modelos muito conceituados na época, tendo-se, alguns deles, tornado figuras de referência no mundo da moda. Por conseguinte, habituei-me a “vê-los” como pessoas ditas “normais”, iguais a qualquer outra pessoa existente ao cimo da terra. E é assim que os continuo a ver sempre que me cruzo com algum.
 
Quanto a esta celebridade, obviamente que não vou referir nomes. Não é relevante. Este foi apenas o mote para que eu pudesse fazer um flashback interior aos tempos em que eu lidava com este “mundo aparte”. Às vezes é bom recordar tempos idos.
Mas como não vos quero deixar a pensar muito sobre o assunto, deixo apenas aos mais curiosos uma dica: fez parte de um concurso televisivo.
 
A criança é muito querida mas muito mal habituada e mimada. É muito pouco desenvolvida e pouco autónoma para a sua idade e compleição física. Mas é bem comportadinha. É o que interessa quando se está sozinha a tomar conta de 20 catraios…
 
 

 

Take Two

 

 

Não há nada como começar um dia com agitação. Faz a adrenalina disparar e o coração acelerar e, por isso, faz-nos sentir alive!

 

Hoje fui mesmo a primeira a entrar no colégio. Mesmo indo beber café, cheguei ao colégio antes da hora prevista.

Ao abrir o portão sou interpelada por dois homens. Iam limpar os vidros, e tal, se podiam entrar. Eu nunca tinha visto aqueles dois seres na minha frente e nem tinha indicação de tal, por isso, fiz-lhes a vontade (o apetite ao trabalho era nulo): mandei-os voltar noutro dia.

 

Mas o pior é que no meio da conversa… O alarme dispara!!! Fui mais rápida do que uma flecha e vá de ir buscar o código para ir desligar o alarme. Mas é claro que estas coisas nunca correm bem logo à primeira: o raio da porta não queria abrir!

Finalmente, desliguei o alarme e dei descanso à vizinhança.

 

Mais uma entrega com direito a chilique da Maria-mau-feitio, mas hoje não teve direito a colo. Minha rica coluna que passou o fim-de-semana todo a queixar-se.

De resto, tive menos 2 ou 3 miúdos e as actividades que planeei para hoje foram cumpridas com êxito.

 

Aguardemos pela aventura de amanhã…

 

Primeiro Round.

 

 

 

E quando uma pessoa quer contar alguma coisa mas está cansada e com preguicite aguda para o fazer, o que é que faz (redundâncias à parte)?

 

Escreve um post sob a forma de telegrama! Conta o que lhe apetece, de forma sucinta e não desgasta muita energia… Convencidos? Eu também não!!!

 

Já sabem que na sexta-feira foi o meu regresso ao trabalho forçado, quer dizer, com muita força e entusiasmo E até não foi nada mau… Ora vejam:

 

* Para dar continuidade à tradição dos meus “primeiro dia de trabalho”, claro que aconteceu um percalço ao romper da manhã.

Entrei no bus e o motorista diz-me que o meu passe não é válido. WHAT??? Are YOU talking to ME? Então o referido senhor achou que a cor da senha do passe tinha de ser vermelha e não preta como na realidade é. E a sua convicção era tanta que não me queria deixar passar… O que vale é que vinha atrás de mim o homem barrigudinho-de-calções-e-soquetes com um passe igual ao meu. Foi o meu herói nesse dia!

 

* Como não tinha tomado descafé e era muito cedo, ao chegar ao colégio, lembrei-me de que havia um café numa rua escondida ali perto. Ao passar pelo portão do colégio, cai-me o coração aos pés: vejo a porta da secretaria aberta!!! “Pensei logo:”Ai que assaltaram o colégio logo no primeiro dia em que está sob a minha alçada!” Aproximo-me em pânico e vejo que afinal foi a todos-me-devem-e-ninguém-me-paga que tinha chegado mais cedo e aberto o colégio. Podiam ter dito alguma coisinha, não?! Eu podia ter tido um colapso cardíaco…

 

* Negligência parental: é-me entregue a Maria-mau-feitio com uma birra descomunal. Grita, bate, esperneia. Como os pais já tinham deixado o colégio e estavam dentro do carro, a miúda foi para o chão. Passado um minuto, desata a correr em direcção ao portão e eu a correr atrás dela. Não é que os pais tinham deixado o portão aberto?!?! A minha sorte – e a dela – é que eu consegui agarrá-la antes que chegasse ao portão. Depois não se admirem que elas aconteçam.

A miúda tem um mau feitio terrível e é birrrenta, é lógico que iria atrás da “mamã”. Entretanto, a mamã que estava a assistir ao espectáculo dentro do carro, regressa ao colégio e eu disse-lhe logo que é obrigatório fechar o portão para as crianças não saírem e ficarem em segurança! “A culpa foi minha”, disse ela com um ar deslavado…

 

O resto do dia correu bem, apesar de ter ficado com 20 miúdos a meu cargo sozinha uma série de horas. Não deveria ser assim mas não sou eu que mando…

 

 

Surpresa!!!

 

Hoje de manhã fui apanhar uma grande seca com a minha mãe: fomos até à Segurança Social pedir o Complemento Solidário para Idosos. Uma nova invenção do governo para "aumentar" as enormíssimas reformas que quem está reformado recebe.

 

O governo "fez o favor" de abrir a Segurança Social  2 sábados, sob o pretexto de ter à disposição ajuda para o preenchimento dos impressos necessários à candidatura. Sim, porque não é garantido que recebam mais 5 tostões de aumento da reforma.

 

Existem os prevenidos que foram para a porta da SS (esta abreviatura é um bocado infeliz) às 6 da manhã, quando aquela só abria às 9 horas; existem os a-ver-se-pinga-alguma-coisa e que de antemão já sabiam que não se enquadravam nos requisitos mas foram aumentar a fila; e existem aqueles que sobrevivem, sabe Deus como, com reformas minúsculas e a quem estes aumentos são mais que devidos.

 

Conseguimos despachar-nos ainda a tempo de ir fazer almoço a casa. No entanto, estávamos decididas a compra algo já feito para nos poupar trabalho e ser mais rápido.

Liguei ao N. para saber o que andava a fazer e ele diz-me que foi às compras e que me pode  ir apanhar se eu quiser. Claro que quis. O calor e a vontade de ir ao WC eram imperiosas.

 

Disse-me logo que me tinha comprado duas coisas. Naturalmente, perguntei o que eram. "Logo vês", foi a resposta que obtive.

Entrámos no carro e viémos para casa.

 

Foi então que me foi feita uma agradável surpresa: o N. ofereceu-me um livro. Mas não foi um livro qualquer, não.

O livro que ele me ofereceu foi escrito por um dos meus autores favoritos: Mia Couto. Iupiiii!!!

Estou ansiosa de meter "olhos à leitura" e acho que vai ser ainda hoje bem instalada no sofá. Ou então já enfiada na cama com o Pimentinha aninhado a um lado e o N. no outro.  

Ah! E a outra surpresa...  Foi um Bolo Brigadeiro... Eu ontem disse que me apetecia um bocadinho de bolo de chocolate daqueles bem molhadinhos e ele fez-me a vontade...!!!

 

Pág. 2/2